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Reabertura?! – Everton Santos

Neste sábado (30/05), o Brasil, mesmo com a sua enorme subnotificação, chegou ao 4º lugar no mundo no número total de mortes, e numa curva francamente ascendente. O Brasil estampou o primeiro lugar mundial em número de mortos da semana. Somos o novo epicentro da doença. Então, como debelar essa doença mortal?  Qual é a solução? Reabrindo.

A luta até agora foi para ver qual nível federativo ajuda mais o vírus a se propagar. No nível federal, em caso único no mundo, dois ministros da Saúde foram embora. Foram acusados de se preocuparem demais com a saúde. Um foi demitido, outro pediu demissão. É um presidente favorável à “contaminação de rebanho” – o que foi testado na Suécia, mas não deu certo. Para ele, só deveriam se preocupar “os fracos, doentes e idosos”, mesmo sendo reafirmado dia a após dia novos mortos jovens e sem morbidades. Mas ok, segue o jogo! Isso não é tão importante… O principal foco dele atualmente é a própria preservação no cargo e dos seus. O foco subsequente, a segunda camada, é a economia. Para ele, a reeleição depende exclusivamente de uma economia pungente. Os fins justificam os meios, incluindo aí então, dolosamente, não ajudar os pequenos e médios empresários – mesmo dizendo que vai -, pois “seria perder dinheiro”. O ponto é focar nos grandes, já que com estes “ganhariam dinheiro”[1]. Assim, 2022 é mais importante do que 2020.

No nível estadual aqui do Rio de Janeiro, seu ex-aliado, o governador Wilson Witzel, foi objeto de uma operação da Polícia Federal nesta semana, com a autorização do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Benedito Gonçalves. Ele está sendo investigado por desvios na área da saúde. A sua esposa, Helena Witzel – no que parece uma reedição da ex-primeira-dama, Adriana Anselmo, então mulher de Sérgio Cabral – firmou contrato com a DPAD Serviços Diagnósticos, em 36 parcelas mensais de R$ 15.000, num total de R$540.000, para prestar “consultorias verbais” na área jurídica até agosto de 2022. Os resultados desse imbróglio são favorecimentos de empresas em vários órgãos e a falta de entregas de hospitais de campanha para tratar doentes do Covid-19. Muitos morreram sem atendimento.

Nos 92 municípios do Rio de Janeiro, a anomia é a regra. Na capital, por exemplo, o prefeito Marcelo Crivella, num ato desesperado para tentar viabilizar um apoio federal para a eleição deste ano (?), tenta colar um retorno a partir da próxima semana, mesmo sendo a cidade a mais impactada pela pandemia no estado. Em dezembro de 2019, ele já contava com 72% de reprovação. Com a pandemia, ele precisa de um “duplo twist carpado com mortal na segunda pirueta” para ser reeleito. Ele esperava entregar algo na franja da eleição, contando com a memória curta do povo. Mas a pandemia não vai deixar. E são tantos outros os casos assim, dos mais variados partidos…

A criança está doente, com febre, tremendo na cama, tendo alucinações, com medo do futuro. Todos os vizinhos estão preocupados. Os médicos (que não fizeram medicina, mas sim educação física e logística), depois de examiná-lo, receitaram confiantes: “vá jogar futebol, meu filho, na chuva fina e fria de junho. Já está na hora certa para retornar aos campos. Pode ficar no sereno depois do jogo. Se sentir alguma coisa, chupe jujuba. Vai dar certo, sim…”

[1] Fala do ministro da economia, Paulo Guedes, na reunião ministerial de 22 de abril de 2020.

Everton Santos é o autor desse artigo.

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